
Por Luciano Simão
Nos dias de hoje, escapar das telas é praticamente impossível. Tablets, smartphones, laptops, televisores estão por todas as partes. Não é à toa, portanto, que as crianças também estão cada vez mais expostas aos estímulos contínuos proporcionados pelas telinhas.
Por isso, criar oportunidades de lazer e descoberta fora do ambiente digital é algo que vem se tornando uma questão de grande importância para pais e educadores, além dos profissionais envolvidos no planejamento de espaços infantis, como os playgrounds.
Devemos eliminar completamente a tecnologia da vida das nossas crianças? É claro que não. Mas é preciso reconhecer que algumas experiências formativas essenciais dependem do contato direto com o ambiente e com outras pessoas, especialmente com outras crianças.
Brincadeiras que demandam envolvimento físico, como corridas, escaladas ou pique-esconde, são atividades fundamentais que fazem parte da experiência de brincar e que merecem espaço na rotina infantil.
Por isso os playgrounds são tão importantes. Essas áreas equipadas com brinquedos se transformam em espaços de infinitas possibilidades de aventura e socialização quando a criança é incentivada a interagir com seu ambiente e com seus pares longe dos estímulos digitais.
Falar apenas do número de horas semanais que uma criança passa diante de uma tela não basta para uma compreensão plena da questão.
O conteúdo que elas consomem, o contexto de utilização das telas e o envolvimento dos adultos também influenciam o impacto que o uso de telas pode ter no desenvolvimento infantil.
Uma revisão sistemática de 2024, que analisou 7441 artigos relacionados ao tema, identificou associações distintas entre diferentes contextos de uso de telas e resultados cognitivos e psicossociais em crianças menores de seis anos. (JAMA Pediatrics)

Entre os principais resultados, o estudo identificou que:
Ou seja, nem todo uso de telas é necessariamente negativo.
Nesse equilíbrio, a brincadeira presencial tem características próprias. Em um playground, a criança pode movimentar o corpo, explorar diferentes possibilidades de brincadeira, interagir com outras crianças e participar de situações que se transformam de acordo com suas próprias decisões e descobertas.
A relação entre a brincadeira e o corpo é intrínseca. Afinal, um playground envolve diferentes formas de movimento: Correr, saltar, subir, descer e manter o equilíbrio são algumas das ações que podem fazer parte da experiência, dependendo dos equipamentos disponíveis e da configuração do espaço.
Essas oportunidades são relevantes em um contexto no qual a atividade física precisa fazer parte da rotina infantil para disponibilizar outras formas de brincar além das telas.
No entanto, não basta disponibilizar equipamentos para garantir que as crianças se movimentem mais. O espaço também precisa despertar interesse e oferecer possibilidades de uso adequadas aos seus usuários.
A revisão de escopo publicada por Schipperijn e colaboradores, em 2024, analisou 247 publicações sobre playgrounds e saúde infantil. Entre os resultados, os pesquisadores identificaram evidências de que determinadas intervenções, como a inclusão de marcações em pátios escolares, podem favorecer a atividade física.
Os resultados de outras intervenções, como a instalação de novas estruturas de brincar, foram mais variados (International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity).
A conclusão é importante para o planejamento de áreas infantis: a presença de um playground, por si só, não garante determinado resultado. A organização do espaço, os estímulos oferecidos e a maneira como as crianças interagem com o ambiente também desempenham um papel crucial.
Uma brincadeira pode começar de uma maneira e terminar de outra. Um mesmo equipamento pode ganhar diferentes significados na imaginação particular de cada criança. Uma atividade coletiva que dura horas e horas pode surgir a partir de uma ideia totalmente inesperada.
Essa abertura para a experimentação faz parte do potencial da brincadeira espontânea. Em um playground, as crianças podem encontrar desafios, testar novas possibilidades e decidir como participar das atividades propostas pelos equipamentos e por outras crianças (sempre, é claro, dentro dos limites de segurança estabelecidos para o espaço).
Isso não significa que atividades digitais também não possam estimular a imaginação ou a aprendizagem. A questão em que devemos pensar é como ampliar o repertório infantil, garantindo que a experiência diante de uma tela não seja a única forma de entretenimento disponível para as nossas crianças.
O playground é um espaço de encontro. Quando uma criança brinca com outras crianças em um parquinho, ela pode precisar compartilhar equipamentos, combinar regras para brincadeiras coletivas, esperar a sua vez e lidar com diferentes interesses.
Algumas situações exigem cooperação; outras envolvem a negociação de pequenos conflitos. Essas interações oferecem oportunidades preciosas para a criança desenvolver sua capacidade de comunicação, aprender a respeitar diferentes perspectivas e construir relações duradouras com outras pessoas.
Essa experiência ganha importância quando pensamos na diferença entre consumir conteúdo digital e participar de uma brincadeira presencial.
Muitas vezes, o uso de telas envolve assistir a vídeos ou acompanhar conteúdos sem qualquer interação com outras pessoas. Mesmo nos jogos digitais, que podem estimular a colaboração e a comunicação entre jogadores, a experiência não reproduz integralmente a riqueza de uma interação face a face.
Na convivência presencial, as crianças interpretam expressões faciais, gestos, olhares, entonações e movimentos corporais. Percebem as reações dos colegas, ajustam seu comportamento ao ambiente e aprendem a lidar com emoções que surgem durante a brincadeira.
Um desentendimento, uma demonstração de entusiasmo ou a necessidade de acolher alguém que ficou de fora são situações que exigem atenção ao outro e respostas construídas em tempo real.
No playground, essas experiências acontecem de forma espontânea, à medida que as crianças entram em contato com seus pares e compartilham do mesmo espaço. Isso não quer dizer que as possibilidades de interação oferecidas pela tecnologia são vazias, mas é interessante reconhecer que elas não substituem completamente a convivência presencial.
Por isso, o playground deve ser pensado como um espaço coletivo, capaz de acolher diferentes idades, interesses e capacidades. A acessibilidade e a diversidade de possibilidades de brincar são fundamentais para ampliar a participação e favorecer experiências compartilhadas de socialização.
Escolas e condomínios podem contribuir para que a brincadeira presencial esteja mais presente na rotina das crianças. Em ambos os casos, a qualidade do espaço e as condições de utilização vão influenciar as oportunidades de brincadeira disponíveis.
O playground pode integrar a experiência escolar como um ambiente de movimento e exploração, seja durante o horário do recreio, seja após as aulas. Para isso, é importante considerar a diversidade de idades, interesses e capacidades dos alunos, além da maneira como o espaço será incorporado à rotina da instituição.
Aproveitar pátios e áreas externas, planejar a circulação e oferecer diferentes possibilidades de brincadeira são caminhos para tornar esses ambientes mais convidativos. A manutenção dos equipamentos e do piso também deve entrar no planejamento da escola, com atenção às condições de uso e à preservação da estrutura.
As férias escolares e outros períodos de menor circulação podem ser excelentes oportunidades para organizar intervenções e serviços de manutenção, conforme o calendário e as necessidades de cada instituição.
Em condomínios, o playground pode funcionar como uma área de convivência para crianças e famílias. Para que seja utilizado com frequência, precisa estar integrado ao espaço comum e oferecer possibilidades de brincadeira compatíveis com o perfil dos moradores.
A escolha dos equipamentos, a acessibilidade, a organização da área e a conservação do ambiente são fatores que merecem atenção. Um espaço bem cuidado também facilita a identificação de necessidades de reparo e manutenção antes que determinados problemas comprometam sua utilização.
Além da instalação, é importante pensar no ciclo de vida do playground. A inspeção periódica dos equipamentos e a manutenção adequada do piso ajudam a preservar as condições do espaço ao longo do tempo, garantindo que as crianças possam redescobrir o espaço continuamente.
A tecnologia é uma parte indispensável da vida contemporânea e, por isso, pode e deve ocupar um lugar na rotina das crianças. O desafio é garantir que o uso das ferramentas digitais esteja equilibrado com outras experiências importantes, como aquelas proporcionadas pelos playgrounds.
O playground, portanto, representa mais do que uma alternativa de entretenimento. Quando bem planejado e conservado, ele se torna um ambiente de estímulo para a exploração de movimentos corporais, de situações sociais complexas e desenvolvimento da capacidade de imaginar e sonhar.
Escolas, condomínios e outros ambientes coletivos têm um papel importante na criação dessas oportunidades, tão preciosas para as crianças nos dias de hoje. Investir em áreas de brincar significa considerar as necessidades das crianças e oferecer condições para que a brincadeira faça parte do cotidiano.
A Rubber Brasil desenvolve soluções para playgrounds e pisos EPDM, contribuindo para a criação de espaços infantis planejados de acordo com as características de cada projeto. Conhecer as possibilidades disponíveis é um primeiro passo para transformar áreas comuns em ambientes convidativos à brincadeira.
Quer planejar ou renovar um playground? Entre em contato com a Rubber Brasil para conhecer as nossas soluções em equipamentos e pisos EPDM para espaços infantis:
https://www.rubberbrasil.com.br/contato
1. Schipperijn et al. (2024). The role of playgrounds in promoting children's health – a scoping review. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity.
2. Early Childhood Screen Use Contexts and Cognitive and Psychosocial Outcomes: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Pediatrics (2024).
3. A systematic review of the associations between biodiversity and children's mental health and wellbeing. Environmental Research (2025).
4. Associations between outdoor play features and children's behavior and health: A systematic review. Health & Place (2024).

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